Cuidando da Segunda Pele l Hoje inicio em uma nova vertente das colunas na Paranautas. Junto do Will e do Marcelo, algumas vezes também falarei sobre as camisas paranistas, afinal, também sou um colecionador destes belos artigos.
E na minha primeira participação nesta seção eu vou falar sobre uma camisa diferente, única, que nenhum colecionador tem. E, obviamente, o clube não usou em temporada alguma.
Na semana que precede o Dia dos Pais, escolhi, dentre tantas peças peculiares, originais, oficiais e únicas que tenho na coleção, falar sobre uma camisa artesanal utilizada para ir a um jogo com um significado especial e uma história diferente.

Trata-se da camisa acima. É isso mesmo que você viu: uma camiseta de passeio vermelha, genérica, com uma bandeira costurada por cima. Mas… por quê?
Era o triangular semifinal da Copa Sul, em 04 de abril de 1999. O vencedor do grupo com Paraná, C.A. Paranaense e Coritiba enfrentaria o vencedor do grupo com Inter, Grêmio e Juventude. Após uma vitória heróica contra o rival rubro-negro em um jogo em que Regis defendeu dois penaltis roubados, o Tricolor dependia apenas de si para conseguir a vaga na final. E, para isso, precisava vencer o rival verde na última rodada. Diante da necessidade, a diretoria paranista lançou uma promoção relâmpago para pais e filhos. Pai que levasse o filho com a camisa do Paraná pagaria apenas cinco reais. E aí a história começa de verdade.
O único manto que eu tinha estava inutilizável, por eu ter jogado um campeonato na escola com ela um dia antes. Meu pai, receoso de me levar por ser um clássico (e todas as possíveis implicações que sabemos que podem ocorrer por causa disso), achou que isso era mais um sinal para não irmos, que ainda perigava o time amarelar no jogo. Do alto dos meus dez anos de idade, demonstrei toda minha tristeza com a oportunidade que parecia esvair pelos dedos. Foi quando tudo mudou.
Minha mãe, percebendo que não daria tempo de lavar a camisa e secá-la, resolveu intervir. Procurou no armário do meu pai uma camisa com alguma das cores paranistas. Achou. E então chamou-me para perguntar se eu me importava de desmanchar uma bandeira de mesa do Paraná Clube que eu tinha na minha escrivaninha. Radiante e esperançoso, respondi que óbvio que não me importava e cobri a matriarca de beijos. Meu pai desistiu de reprimir a própria vontade de acompanhar o Tricolor na Vila e consentiu a solução. Como a promoção havia sido divulgada mais amplamente no jornal da hora do almoço, minha mãe pôs-se rapidamente a costurar a bandeira na camisa, pois eu e meu pai precisaríamos sair logo para o jogo.
Deu certo! Fomos para a Vila.
E o jogo, será que valeu à pena? Confira abaixo:
Como visto, foi uma partida eletrizante, com duas viradas de jogo, cenas de rivalidade, golaços e emoção à flor da pele. E pude acompanhar esse jogo histórico vivenciando cada momento ao lado do meu pai, a quem nunca deixarei de ser grato por ter me feito paranista!
Tudo isso graças a essa camisa (e, é claro, à minha mãe também!), que não é licenciada pelo clube, não é oficial por nenhuma fornecedora. Mas que, para o meu coração, sempre será oficial e a mais original de todas, especialmente no quesito criatividade e peculiaridade.
Vejo você na Vila!
Henrique Ventura
@henventura
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*Nota: O conteúdo postado neste espaço (colunas) é de responsabilidade exclusiva do autor, não necessariamente refletindo a opinião da Paranautas sobre os temas aqui abordados.


