Leque aberto

ventura

Mais uma vez estamos fora do Ruralzão, vendo a duplinha Debi & Loide decidir o certame estadual. Apesar disso, não podemos dizer que os últimos quatro meses foram jogados no lixo. Vamos terminar 2013 invictos em clássicos (confesso não ter facilmente à mão a informação de quando isso aconteceu pela última vez), revelamos novos valores da base aproveitáveis para o elenco, identificamos jogadores a formar a espinha dorsal do time e descobrimos que Toninho Cecílio não era o treinador ideal para o acesso à série A. Além disso, finalmente reformamos o eternamente criticado gramado da Vila Capanema e voltamos a jogar na saudosa maloca de “La BomBoquera”, a Vila Olímpica do Boqueirão.

Mas enfim, veio a eliminação no Paranaense e na Copa do Brasil e, agora, chegou a hora de reforçar o elenco e escolher treinador novo, para encorpar o time e não deixar a série A escapar de forma alguma. E, pelo jeito, a diretoria começou bem esta tarefa de reformulação, deixando claro que o elenco desta primeira parte do ano tinha graves deficiências.

Até o fechamento desta coluna, já vieram os meias Fernando Gabriel e Robson, o polivalente Ronaldo Mendes, o atacante Leo, os volantes Gilson e Cambará, o zagueiro Brinner e os laterais Tiago Silva e Edson Sitta. E só a vinda desses nomes já me fazem sentir credenciado a imaginar as prováveis formações táticas. Antes de começar os esboços no campo, cabem algumas “legendas” justificando determinadas cogitações.

1 – Já se informou na imprensa a intenção do empréstimo de Wellington. Mas, por enquanto, ele segue no Paraná e, cá entre nós, desconsiderando seu salário, ele poderia ser muito útil ao elenco tanto como meia, tanto até como segundo volante. Deste modo, em alguns esboços táticos desta coluna ele estará em campo.

2 – Ronaldo Mendes é meia. Mas também joga como lateral esquerdo, meia-atacante e segundo atacante. Por isso, não estranhe se ele aparecer escalado em outro lugar do campo que não o meio de campo.

3 – Temos dois goleiros excelentes. Não vou ousar escolher um dos dois nas escalações.

4 – Zé Luis ainda não teve seu contrato renovado e, portanto, segue desconsiderado nos esquemas, por ora.

5 – Anderson não vem em uma fase legal, por isso ele pode aparecer com a titularidade “contestada” nos esquemas.

6 – Alguns jogadores importantes podem não aparecer nos esquemas, o que não significa que não sejam aproveitáveis.

Explicações dadas, vamos lá. Aproveite o devaneio. São três esquemas pra você imaginar a máquina que nos levará de volta à elite.

O 4-4-2 BÁSICO

ESQUEMA BASICO

Nesta primeira imagem, armei um esqueleto de 4-4-2 básico, com a linha defensiva normal, meio com dois volantes e dois meias e ataque com um centroavante e um ponta. Um de seus diferenciais é que Ricardo Conceição deixa de ser o peladeiro que se obrigava a ser no esquema maluco de Toninho Cecílio e passa a ser o cão de guarda à frente da zaga. O segundo ponto é que Lúcio Flávio ganha “pernas” ao ter mais um meia ao lado para ajudar na armação. Por último, o segundo meia (Rubinho, Fernando Gabriel ou até mesmo Ronaldo Mendes), pode tanto abrir na ponta do ataque para abrir a defesa adversária como encostar no ataque para finalizar na sobra.

O FALSO FERROLHO

Na segunda imagem, tentei adaptar o time à característica do provável novo treinador, que atualmente disputa os jogos derradeiros do campeonato paulista e tem o louvável hábito de povoar o meio de campo com jogadores de qualidade e mobilidade, ao invés de encher de brucutus sem aproximação. Neste esquema desenhado no 4-5-1, os dois volantes participam do jogo principalmente com a movimentação e abertura de opções (EDIT: e, com isso, permitem uma rápida recomposição da defesa e possiblitam uma saída de bola mais rápida). Apesar de parecer pouco objetivo com três meias e um atacante isolado, este esquema é uma armadilha para o adversário, pois a movimentação de bola entre eles fica dependendo apenas do deslocamento planejado do centroavante e de elementos surpresa. E é nesse fator surpresa que entra o terceiro meia – por isso a escalação de Ronaldo Mendes ou Luisinho. Ele será o responsável por, de acordo com a conveniência, encostar no ataque ou nas pontas para abrir a defesa, até mesmo auxiliado por outro dos três meias no lado oposto do campo. A escalação de Reinaldo, que tem qualidade como pivô, permite maior possibilidade de arremates de fora da área com ângulo mais favorável, com três meias tendo tal chance.

O FAMIGERADO 3-5-2

Por fim, como sempre tem gente que cogita esse esquema (inclusive um comentarista aqui de Curitiba), não custa imaginar, por mais que eu considere totalmente incompatível com o elenco atual e um esquema que obriga a defesa a se vigiar o tempo todo para não jogar em linha, tendendo a desequilibrar o time. Como lado positivo, é que Ronaldo Mendes pode fazer as vezes do ala esquerdo com mais liberdade e que Ângelo poderia vir a ganhar a titularidade na direita. Para não desequilibrar tanto o time, o ideal seria manter só um volante, como no esboço acima.

É óbvio que vários outros esquemas podem surgir com a avaliação do técnico sobre o elenco que tiver em mãos, mas, em suma, a diretoria tem trabalhado bem na abertura de opções à comissão técnica. A obrigação de um bom trabalho do treinador pode aumentar, já que até um mero colunista com o conhecimento de futebol semelhante ao de Roberto Cavalo (há há!) consegue bolar pelo menos três esquemas razoáveis com o elenco que está se formando.

Desse ano, nosso acesso não passa! Fé, galera!

Vejo você na Vila!

Henrique Ventura

@henventura

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