O barato custa o dobro

ventura

Tá feia a coisa em campo. Após quatro rodadas de Ruralito, o time paranista não consegue engrenar. Um esquema falido, um treinador sem “balaca” e boa parte dos jogadores jogando sem as devidas intensidade e atenção. Além disso, obviamente o elenco que disputa o campeonato paranaense também recebe um salário menor que o planejado para o campeonato brasileiro, o que necessariamente significa que antes de abril não teremos atletas mais rodados e/ou com conquistas no currículo.

A combinação destes fatores vem sendo desastrosa. E aí muita gente pode dizer “Ah, mas o estadual não vale nada”. Pra gente, vale, sim. Nestes anos de série B, já tivemos muitos momentos “tesão de mijo”, no melhor estilo de acordar de pau duro e, no fim das contas, não comer ninguém. Sendo assim, pra nossa torcida confiar que dessa vez vai dar tudo certo, o chamariz mais singelo e atrativo é o título do campeonato paranaense. Só que, do jeito que andam as coisas,  tá difícil.

Pior do que isso. A fórmula de disputa desse ano obriga os não classificados à próxima fase a disputar o famigerado – e já conhecido por nós – Torneio da Morte.

Como os dirigentes sofrem como todos nós – afinal, também são torcedores, exceto os remunerados -, acredito que eles vão intervir assim que a ameaça de a vaca ir para o brejo ficar mais real. E essa intervenção vai demandar investimentos de emergência, encarecendo absurdamente um time que era para ser o “quebra galho” que permitiria maior fôlego financeiro no resto do ano.

Mas por que isso acontece? Primeiro – todo mundo sabe de nossas dificuldades – porque falta grana. Essa diretoria já ajeitou muita coisa, mas as contas ainda apertam. Sem grana, o clube precisa buscar alternativas, começando pelo treinador. Fugir do perfil “cascudo” é necessário nessas condições, mas como hoje essa é a ideia da maioria dos clubes, inflaciona-se o mercado e sobram poucas opções de técnico. Por isso não vejo como solução efetiva a saída de Milton Mendes, porque não vem ninguém muito diferente.

Sem dinheiro, os atletas que vem precisam ser apostas também. A ideia da diretoria de se antecipar ao mercado paulista e apostar em jogadores de centros mais inexpressivos é ótima. Mas essa observação não deveria acontecer de forma tão indireta. Receber números de rendimento por scout puro de jogadores em times pequenos é pouco, ainda mais vindo de observadores ligados a empresários. A avaliação deveria incluir também o comportamento do atleta em campo (isso pra não falar do extra-campo, que é outro papo), personalidade, iniciativa pra resolver o jogo, altruísmo com a bola nos pés. É difícil, é subjetivo, mas deveria ser considerado.

Entendo os critérios que levaram a diretoria a contratar os atuais atletas e concordo com muitos deles, mas a minha opinião é de que ainda faltaram os critérios supracitados. Aliás, falando em entender, sou um defensor entusiasta da atual gestão. Diretoria que envolve pessoas como o Rubens, o Celso, o Renato e o Linke semPRe vai merecer todo o crédito. Mas também não podemos ser “chapa branca” a ponto de ver esses erros que acontecem no futebol, que é nosso carro-chefe, e não falar nada. Do mesmo modo que a diretoria também tem que entender as críticas e o sofrimento do torcedor como naturais. Sem resultado, sem otimismo. Quanto ao torcedor, só não vale extrapolar. Críticas aos resultados e ao time, sim. Ofensas à dignidade dos diretores já é demais.

Vejo você na Vila!

Henrique Ventura

@henventura

Todos os domingos, aqui na Paranautas.



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